A Blizzard anunciou na BlizzCon deste ano um novo título da aclamada e bem sucedida franquia Diablo, o “Diablo Immortal”. Só que o jogo será apenas para plataforma mobile, iOS e Android, e o mesmo não foi tão bem recebido pelos fãs que acompanhavam o evento. Antes de começarmos a conversar sobre toda a polêmica gerada no dia da divulgação oficial, vamos falar um pouco sobre este spin-off.

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A HISTÓRIA DE DIABLO IMMORTAL É PASSADA ENTRE DIABLO 2 E DIABLO 3

“A Pedra do Mundo jaz em pedaços, mas resta muito poder em seus fragmentos corrompidos. Os lacaios de Diablo esperam explorar esse poder para provocar o retorno do Senhor do Medo. O arcanjo Tyrael está supostamente morto, e cabe à humanidade lidar com as consequências das ações dele. Os fragmentos da Pedra do Mundo profanam a terra, suscitando males ancestrais que buscam reunir o poder da pedra e usá-lo para controlar a humanidade.”

O trailer está impecável como sempre, e as expressões faciais dos personagens ficaram muito realistas. A Blizzard poderia lançar seus próprios filmes e séries, embora saibamos que este pedido já está batido, mas deixarei mais um registro.

Conforme apresentado no vídeo, Diablo Immortal é um jogo que o fã precisa conhecer. É sempre interessante poder explorar ‒ neste caso jogar ‒ mais vias das histórias pelas quais somos apaixonados. Seria interessantes se a Blizzard investisse mais, paralelamente, nestes spin-offs, sendo jogos menores com o propósito de trazer mais detalhes às suas franquias.

No entanto, a maioria dos fãs e críticos não foram favoráveis ao caminho que a empresa decidiu dar ao novo jogo da série Diablo, de ingressar na plataforma mobile.

Voltando ao início do nosso post, após o game ser anunciado, A Blizzard abriu espaço para o público fazer perguntas sobre o Diablo Immortal, e foi nesse momento que os representantes da empresa, no palco, cometeram alguns erros. Um fã perguntou ao Wyatt Cheng, designer chefe, se o novo título da franquia realmente não sairia para PC, mas a resposta foi negativa e veio seguida de um infeliz questionamento: “Vocês não têm celulares?”. Claro que as pessoas ali presentes tinham celulares! A questão não era essa, porém, independente da forma como ele resolveu expor a indignação com o descontentamento dos fãs, resolvemos nos ater à não existência da versão para PC, e, ou, consoles no futuro.

Sabemos que os jogos mobiles, em sua maioria, são “caças níqueis”, pois “travam” a progressão para fazer os jogadores gastarem alguns trocados, para que possam seguir em frente sem interrupções. Sim, ok. Porém, outro ponto crucial anda na contramão dos fã-players da franquia Diablo, a maioria é um gamer hardcore de PC. Você declarar que teremos uma nova história e que não sairá para PC, isso no mínimo é preocupante para ambos os lados do negócio, a empresa e o consumidor.

A Blizzard vai retornar o investimento feito em Diablo Immortal? Provavelmente, sim. A plataforma mobile movimenta milhares de dólares e se torna uma vitrine para estatísticas de jogadores registrados, vide o caso do Playerunknown’s Battlegrounds, que registrou mais de 400 milhões de jogadores, sendo cerca de 350 minhões só no mobile, ou seja, quase dez vezes mais do que as outras plataformas. Por este motivo, a frase dita por Cheng, mesmo sendo arrogante e impaciente, evidencia que o mobile é uma “via financeira” sólida e real. Não fazer parte deste cenário nos dias de hoje é sinônimo de perder a possibilidade de faturar mais.

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AGORA VAMOS AO OUTRO LADO DA MOEDA, O JOGO PARA O FÃ

Mediante os rumores gerados indiretamente antes da Bizzcon 2018, pelas vagas de emprego divulgadas no portal da Blizzard e pelos clássicos que tiveram suas versões originais remasterizadas, StarCraft e Warcraft (este anunciado no próprio evento), muitos acreditavam em um Diablo 4 ou em um Diablo 2 remasterizado ‒ título que é citado como o melhor da franquia. Realmente deve ter sido decepcionante assistir a um trailer fantástico como aquele e saber que só poderão desfrutar fora do seu PC, no celular. Porém, nada do que foi especulado pelos próprios fãs a empresa prometeu.

Analisando todo o contexto, a Blizzard fez “certo” em levar o Diablo Immortal para mobile, porém, na minha opinião, deveria ter sido mais cautelosa com o planejamento. Poderiam ter trabalhado em um cross-play entre Mobile e PC (ou até nos consoles), pois o Diablo é um game tão fantástico que sua jogabilidade se encaixa em teclado+mouse, controles e/ou celulares. Mesmo que inicialmente só lançassem para plataforma mobile, já que, supostamente, o propósito é aumentar sua gama de consumidores (casuais e hardcore), eles deveriam ter planejado um lançamento para PC depois de uns 6 meses (por exemplo), com migração de toda progressão alcançada no celular. Assim, eles poderiam trazer jogadores do mobile para o pc e vice-versa, além de você poder jogar fora do seu cantinho gamer habitual e depois conseguir continuar como sempre o fez, no pc. Talvez isto tivesse diminuído a propaganda negativa, e muitos sairiam felizes em saber que um pedaço a mais da história de Diablo estaria por vir.

Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos. Porém, antes disso, o que você achou do que foi apresentado? Instalará Diablo Immortal para explorar mais uma história, Nephalem¹?

Site oficial do jogo: https://diabloimmortal.com/pt-br/


¹* “De fato, a união de anjo e demônio criou uma terceira essência. E nós somos as crianças. Nós somos o Nephalem. Nós existimos como metade anjo, metade demônio, somos uma entidade totalmente nova. E por causa da nossa linhagem, eles nos amam. E por causa das nossas diferenças, eles nos temem. Dentro do equilíbrio tremendo entre o amor e o medo é a relação de nós para com nossos pais e mães.”

– Texto do Livro de Cain

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