TIDELANDS – SÉRIE

Fascinantes, sedutoras, encantadoras e perigosas. Seu canto é capaz de hipnotizar os homens, atraindo-os para si como imãs. Lendas originadas desde os primeiros anos depois de Cristo, mais precisamente 680 d.C., contam as histórias dessas criaturas, que são metade peixe e metade humanas.

Assim como acontece com os vampiros, lobisomens, fadas e afins, as sereias têm seu espaço no imaginário popular, seja com o nosso mito ­– Iara – ou com a versão light criada para Disney, que é muito diferente da original, na qual o desenho se inspirou. No conto de Hans Christian Andersen, a sereiazinha precisaria matar o príncipe, mas acaba com a própria vida por amor. Um pouco macabro, mas todas essas histórias tinham seu lado sombrio. E ninguém pode negar que tudo que é obscuro nos fascina.

Para provar isso, uma nova história sobre sereias foi criada, tornando-se seriado pela Netflix, com direito até mesmo à participação de um ator brasileiro no elenco, o talentoso Marco Pigossi.

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A produção australiana conta a história de uma cidade onde a maioria dos homens morre de circunstâncias não naturais. Diz-se que essas mortes misteriosas têm ligação com uma comunidade chamada L´Attente, liderada por Adrielle Cuthbert – uma mulher bela e sedutora, mas cruel e inescrupulosa, capaz de tudo para conseguir o que quer.

Reza a lenda que os componentes desta comunidade, os chamados tidelanders, são humanos híbridos, resultantes de relacionamentos entre sereias e pescadores. Abandonados na praia por suas mães, essas pessoas são acolhidas em L’Attente, aceitas, e convivem em relativa harmonia. Por serem herdeiros de criaturas sobrenaturais, os tidelanders possuem poderes como: capacidade de manipular a água e se manterem sob ela por tempo indefinido, força considerável, além de outras habilidades. Alguns têm até o dom da visão.

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Logo no primeiro episódio, acompanhamos a protagonista da história, Calliope McTeer, uma jovem que está deixando a cadeia, depois de dez anos presa, e retornando à sua cidade. Ao voltar, descobre que seu irmão, Augie, faz negócios com os tidelanders e que esses negócios incluem tráfico e fabricação de drogas. Porém, há muitos segredos nas intenções de Adrielle e uma ligação muito perigosa entre a líder de L’Attente e Calliope.

Como eu já disse acima, trata-se de uma temporada curta, então, o ritmo dela é bem intenso. Os personagens são inseridos sem muitas firulas, e nada nos é entregue de bandeja. Vamos sendo apresentados à mitologia e ao que nos espera sem diálogos expositivos, sem explicações desnecessárias; a história é contada de uma forma muito eficaz, até que, quando nos damos conta, já estamos imersos no universo sobrenatural da série.

Eu preciso dar um destaque para as paisagens utilizadas para a composição dos cenários, especialmente as praias. O mar azul, o som das ondas, a areia branquinha… tudo isso contribuiu e muito para que eu me sentisse mais e mais imersa na vibe de Tidelands. Isso, aliado a uma trilha sonora melancólica e alternativa (com destaque para a belíssima Gassed, de Weslee – versão Stripped), me deixaram com um gosto de quero mais.

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O elenco é afiado, e, como eu também citei acima, conta com um nome brasileiro. Marco Pigossi é um bom ator, com certo protagonismo nas nossas novelas brasileiras, mas eu tenho para mim que foi neste seriado que ele demonstrou seu verdadeiro talento. Seu personagem, Dylan, é um cara ambíguo, que faz tudo – desde o ato mais sórdido possível – por amor a Adrielle; um sentimento doentio que o transforma em um capacho. Eu já conhecia alguns dos outros rostos também, como o de Elsa Pataki, de Velozes e Furiosos, e Aaron Jakubenko, de The Shannara Chronicles, e todos eles estão muito bem, especialmente porque nenhum personagem é 100% bonzinho; o seriado não empurra pela sua goela abaixo essa visão maniqueísta e preguiçosa. Todos têm seus demônios, seus momentos mais sombrios, o que torna mais fácil a identificação.

Aviso que o final do último episódio deixa um gancho absurdo para uma segunda temporada, e eu espero que a Netflix não nos decepcione e a produza o mais rápido possível.

Confiram o trailer:

 

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