A Geração Playlist

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O mundo vive em constante evolução e mudança. Mudanças em como comemos, jogamos e ouvimos música. A indústria musical é uma constante metamorfose ambulante, e cada dia que passa mais misturada. Se antes a moda era a música pop crua melódica radiofônica, hoje é mais eletrônica. É evidente, também, que o jeito que consumimos música mudou. Antes ouvíamos CDs, hoje temos streams.

Um novo modo e uma nova geração surgiu. A geração playlist. Ouvintes passivos que só consomem playlists e não um álbum do começo ao fim, como antigamente.

Isso tem impacto direto no jeito como os artistas entregam suas músicas; antes com álbuns inteiros, com conceito, arte e musicalidade tudo combinando, fazendo sentido. Já hoje, EPs. Isso não é uma regra final ainda. Mas já influenciou esse mundo. Você vai a shows, e as pessoas só conhecem os hits, as músicas mais conhecidas daquele determinado artista. Não conhecem profundamente o conceito, a mensagem passada.

Vou usar como exemplo o show do Red Hot Chilli Peppers no Rock in Rio deste ano. A banda optou por escolher músicas que eles não tocam tanto ao vivo, dos álbuns mais antigos. E a galerinha tava la reclamando no twitter.

É importante ressaltar que não estou escrevendo isso para julgar esse grupo de indivíduos, mas, sim, para debater e entender como e por que essa mudança vem ocorrendo.

Em parte eu até entendo o porquê disso. O mainstream musical hoje em dia tem uma musicalidade mais eletrônica, pop e com um toque de hip hop. Uma mistura desses três elementos. E entendo que isso não agrada a todos. Em contra partida, o hype do momento é o K-pop que tem esses elementos citados acima. Faz sentido?

Outra coisa também é que, na minha opinião, os artistas não vêm fazendo tanto álbuns excepcionais como antigamente. Juntando isso com a crescente da geração playlist, temos esse resultado. Vale a pena lembrar também que uma banda ou um artista não consegue ficar vinte ou trinta anos fazendo o mesmo tipo de som. Vou usar o Coldplay como exemplo (uma das minhas bandas favoritas, inclusive). Antes era melancólico, alternativo. Hoje é feliz, pop, diferente. Mas é assim. Estamos em constante mudança.

São fases da vida. Às vezes não nos importamos tanto assim com música.

Música pra mim é muito importante. Eu gosto, procuro entender. É a minha paixão, meu trabalho. Pra mim, uma ferramenta social, um escape, um transmissor de sentimentos. Resolvi escrever esse texto depois ter visto o vídeo do canal Minuto Indie, que gosto muito e recomendo. Segundo o Ale – e inclusive concordo com ele – existem três tipos de pessoas: a bolha do conforto – aqueles que sempre ouvem a mesma coisa e no máximo saem pra bandas e artistas parecidos. Os ouvintes passivos– aquele cara que só ouve playlists prontas e não corre atrás de músicas novas e artistas novos, nem mesmo parecidos com os que ele ouve. O terceiro e último, o alienígena – o cara que consome muito e procura artistas novos, álbuns novos, procura entender o conceito e a mensagem que o artista quer passar. Sempre antenado em todas as mídias, youtube, spotify, etc. Procura entender os novos gêneros musicais, a fusão e a mudança deles, tanto no mainstream quanto no underground.

E você? Onde se encaixa?

Venha conversar comigo sobre isso. Dê sua opinião.

Obrigado ao Ale e ao Minuto Indie pelo conteúdo de excelente qualidade. Um abraço a todos.

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